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Custo de um funcionário CLT em 2026 — Cálculo completo

Quanto custa um funcionário CLT em 2026 para a empresa, somando INSS patronal, FGTS, 13º, férias e benefícios. Tabela e exemplos para R$ 2 mil, R$ 5 mil e R$ 10 mil.

Componentes do custo CLT

O custo de um CLT para a empresa tem três grupos: encargos obrigatórios sobre a folha (INSS patronal, FGTS, RAT/SAT, Sistema S), provisões mensais para direitos pagos no futuro (13º e férias com 1/3), e benefícios de mercado opcionais (vale-refeição, plano de saúde).

A base legal está no Decreto-Lei 5.452/1943 (CLT) e na Lei 8.036/1990 (FGTS). Empresas no Simples Nacional Anexo IV ou que optam pela desoneração da folha recolhem patronal de forma diferente; este guia trata o caso mais comum (regime geral).

Gráfico de barras empilhadas mostrando como o salário bruto CLT vira custo total: salário 100%, INSS patronal 20%, FGTS 8%, provisão 13º 8,33%, provisão férias com 1/3 11,11%, RAT/Sistema S ~7,8%, totalizando aproximadamente 155% sem benefícios.
Decomposição do custo CLT — encargos + provisões somam ~55% sobre o salário bruto.

Em 2026, o custo total de um funcionário CLT fica entre 1,7x e 1,9x o salário bruto. Para um salário de R$ 5.000, o custo direto é de aproximadamente R$ 7.366 e, com benefícios médios, passa de R$ 8.500. Os principais encargos são INSS patronal (20%), FGTS (8%) e provisões de 13º e férias.

Tabela mestre dos encargos

ComponenteAlíquotaBase
INSS patronal20,0%Folha bruta
RAT (1% a 3%)~2%Folha bruta
Sistema S~5,8%Folha bruta
FGTS8,0%Folha bruta
Provisão 13º8,33%Folha bruta
Provisão férias + 1/311,11%Folha bruta
FGTS sobre 13º + férias~1,55%Provisões
Encargos CLT regime geral (2026)

Exemplos práticos em 3 faixas

Os números a seguir ignoram RAT/Sistema S (que variam por CNAE e podem somar 5% a 8%) e contemplam apenas o núcleo de encargos. Use a calculadora para o cálculo exato com sua faixa.

Salário brutoINSS 20%FGTS 8%Prov. 13ºProv. fériasCusto direto
R$ 2.000R$ 400R$ 160R$ 167R$ 222~R$ 2.949
R$ 5.000R$ 1.000R$ 400R$ 417R$ 556~R$ 7.373
R$ 10.000R$ 2.000R$ 800R$ 833R$ 1.111~R$ 14.744
Custo direto da empresa por faixa salarial (2026, sem RAT/Sistema S e benefícios)

Quando faz sentido para a empresa

  • Funções que exigem subordinação, exclusividade e horário fixo — o vínculo CLT é o único legalmente seguro, segundo a jurisprudência do TST.
  • Posições estratégicas com expectativa de longa permanência (>12 meses).
  • Funções com risco de acidente: o RAT cobre auxílio-acidentário pelo INSS, sem expor a empresa à responsabilidade civil isolada.
  • Cargos que precisam de benefícios CLT como argumento de retenção (estágio probatório, programas de trainee).

Erros comuns no orçamento da folha

  • Esquecer FGTS sobre 13º e férias: ~1,55% adicionais sobre o bruto.
  • Ignorar RAT/Sistema S: somam de 6% a 8% conforme o CNAE.
  • Tratar vale-transporte como gasto: até 6% do salário pode ser descontado do empregado, então o custo líquido para a empresa é o que excede 6%.
  • Confundir DSR (descanso semanal remunerado) com hora extra: o DSR já está embutido no salário mensal.
  • Não provisionar a multa de 40% do FGTS para potenciais demissões — ~3,2% ao ano em rotatividade média.
  • Comparar custo CLT com custo PJ sem considerar INSS patronal e provisões — a diferença real costuma chegar a 50% ou mais.

Estudo de caso: pacote de R$ 5.000 vs R$ 10.000 vs R$ 20.000

Para um colaborador com salário contratual de R$ 5.000, o custo total da empresa fica em torno de R$ 7.350 mensais (~147%). Isso inclui R$ 1.000 de INSS patronal, R$ 400 de FGTS, R$ 416 de provisão de 13º, R$ 555 de provisão de férias com 1/3, R$ 240 de RAT/Sistema S e ainda incidência de FGTS sobre as provisões. Adicionando vale-refeição (R$ 600 via PAT, sem encargos), vale-transporte líquido (R$ 100), plano de saúde coletivo (R$ 280) e previdência privada (R$ 100), o pacote chega a R$ 8.430 mensais.

Subindo para R$ 10.000 contratuais, o efeito proporcional se mantém: encargos somam ~R$ 4.700 e benefícios ~R$ 1.500, totalizando R$ 16.200 mensais ou ~R$ 194.400 anuais. Aqui já compensa começar a comparar com um equivalente PJ no Simples Nacional Anexo III — um faturamento bruto contratado de R$ 14.000 mensais entregaria ao prestador líquido similar e ainda economizaria 13% para a empresa.

No patamar de R$ 20.000 contratuais, o custo total CLT atinge R$ 32.200 mensais ou R$ 386.400 anuais. Essa é a faixa em que a pejotização é mais comum — e mais arriscada. A economia aparente para a empresa pode chegar a R$ 100.000/ano, mas a contingência de reconhecimento de vínculo retroativo (com 5 anos de FGTS, 13º, férias e multa de 40%) costuma ser de R$ 250.000 a R$ 400.000 por contrato. Sem mudança real na natureza do trabalho, o desconto é uma ilusão atuarial.

Otimizações legais e benefícios desonerados

Existem várias formas de reduzir o custo CLT sem sair da formalidade. A adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) torna o vale-refeição/alimentação totalmente desonerado de INSS, FGTS e IRRF. Plano de saúde coletivo empresarial e previdência privada também ficam fora da base de incidência, desde que o benefício seja extensivo a todos os empregados.

Bonificações pontuais (PLR — Participação nos Lucros e Resultados, regulamentada pela Lei 10.101/2000) também não compõem base de 13º, férias ou FGTS, e contam com tabela de IRRF própria mais favorável. Para empresas com folha relevante, instituir PLR negociada com sindicato pode reduzir o custo médio em 5%–8%.

Por fim, o uso de regimes especiais como CLT por jornada parcial (até 26 horas semanais), trabalho intermitente ou contrato de aprendiz reduz proporcionalmente a maior parte dos encargos. Cada um exige cuidados específicos para não configurar fraude trabalhista, e a recomendação geral é envolver consultoria jurídica antes de migrar contratos existentes para esses regimes.

Encargos trabalhistas detalhados: RAT, FAP e Sistema S

Além dos 20% de INSS patronal padrão, a empresa CLT recolhe contribuições adicionais sobre a folha. O RAT (Riscos Ambientais do Trabalho), regulamentado pela Lei 8.212/1991, tem alíquota de 1%, 2% ou 3% conforme o grau de risco da atividade (CNAE) — multiplicado pelo FAP (Fator Acidentário de Prevenção, entre 0,5 e 2,0), individualizado por empresa conforme histórico de acidentes.

O Sistema S agrega contribuições destinadas ao SESI/SENAI/SENAC/SESC/SEBRAE conforme a atividade econômica, totalizando entre 2,5% e 5,8% sobre a folha. Para uma indústria, a soma RAT+FAP+Sistema S pode chegar a 8% adicionais. Para uma empresa de serviços de baixo risco, fica em torno de 5,8%. Esses valores raramente aparecem no comparativo CLT vs PJ feito pelo trabalhador, mas são parte integral do custo CLT bancado pela empresa.

Algumas atividades específicas têm desonerações ou substituições. A desoneração da folha (CPRB — Contribuição Previdenciária sobre Receita Bruta), prorrogada pela Lei 14.784/2023, substitui os 20% de INSS patronal por uma alíquota de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, em 17 setores intensivos em mão-de-obra. Essa decisão é facultativa e exige análise contábil para verificar se compensa.

Para o profissional avaliando uma proposta CLT, vale somar mentalmente: salário bruto + 30% (encargos) + 25% (provisões 13º+férias+FGTS) + 15% (benefícios típicos como VR, VA, plano de saúde) = ~170% do bruto. Esse número representa o que a empresa REALMENTE gasta — base de comparação correta com a proposta PJ equivalente.

Decisões trabalhistas comuns e seu impacto no custo

Decisões que parecem operacionais têm impacto fiscal relevante no custo CLT. Pagamento de horas extras: cada hora extra é remunerada com adicional de 50% (ou 100% em domingos/feriados), e sobre esse valor incide INSS patronal, FGTS, provisão de 13º e provisão de férias. Para uma hora extra de R$ 30 nominal, o custo real fica em torno de R$ 47 — incremento de 57%.

Adicional noturno (20% sobre horas trabalhadas entre 22h e 5h), insalubridade (10%, 20% ou 40% do salário mínimo), periculosidade (30% do salário-base), adicional de transferência (25% sobre o salário) — todos compõem base de incidência de encargos. Empresas com operação 24/7 ou com atividades de risco precisam dimensionar esses adicionais no custo CLT total, que pode chegar a 180%-200% sobre o salário-base contratual.

Convenções coletivas de muitas categorias estabelecem benefícios obrigatórios como cesta básica, auxílio-creche, abono família, plano de saúde mínimo. Esses itens muitas vezes não aparecem no contracheque mas representam custo real para a empresa. Um exemplo: a convenção dos bancários inclui PLR diferenciada, vale-cultura, gratificação de função e auxílio-educação — itens que somam facilmente R$ 1.500/mês adicionais ao pacote de um bancário pleno.

Para PMEs em crescimento, vale acompanhar de perto o calendário de convenções coletivas. A renovação anual costuma incluir reajuste salarial (~IPCA + ganho real de 1% a 3%) que aumenta automaticamente toda a folha. Um aumento de 5% sobre uma folha de R$ 100k mensais representa R$ 8.500 adicionais por mês considerando todos os encargos derivados. Esse impacto precisa estar provisionado no orçamento da empresa.

Perguntas frequentes

Quanto custa um funcionário CLT de R$ 3.000?

Aproximadamente R$ 4.420 mensais somando INSS patronal, FGTS, provisões de 13º e férias com 1/3. Com VR de R$ 600 e plano de saúde de R$ 200, o custo passa de R$ 5.200.

O salário-família entra no custo da empresa?

O salário-família é pago pela empresa e compensado no recolhimento do INSS. Em 2026, vale R$ 65,00 por filho até 14 anos para empregados com salário até R$ 1.906,04. Como é compensado, o custo líquido para a empresa é zero.

Como reduzir legalmente o custo CLT?

Aderir ao PAT torna o vale-refeição não-tributável (sem encargos). Plano de saúde e previdência privada coletivos também não compõem a base do INSS.

Fontes

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